{"id":5249,"date":"2020-04-20T17:55:12","date_gmt":"2020-04-20T20:55:12","guid":{"rendered":"https:\/\/uenf.br\/portal\/?p=5249"},"modified":"2020-04-20T17:55:12","modified_gmt":"2020-04-20T20:55:12","slug":"um-recomeco-para-a-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal1.uenf.br\/portal\/informes-internos\/um-recomeco-para-a-humanidade\/","title":{"rendered":"Um \u2018recome\u00e7o\u2019 para a humanidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Dutra-roberto-1024x473.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5252\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A civiliza\u00e7\u00e3o humana vive um momento \u00edmpar, cujas consequ\u00eancias ainda s\u00e3o imprevis\u00edveis. Esta \u00e9 a opini\u00e3o do cientista social Roberto Dutra, do Laborat\u00f3rio de Gest\u00e3o e Pol\u00edticas P\u00fablicas da UENF (LGPP), que nesta entrevista discorre sobre o atual momento pelo qual passa a sociedade globalizada. Segundo Dutra, a humanidade vive um fen\u00f4meno social jamais presenciado, com a paralisa\u00e7\u00e3o de quase todos os sistemas da sociedade em prol de uma meta: salvar o maior n\u00famero de vidas. E o que o mundo pode esperar ap\u00f3s o confinamento? A \u00fanica certeza, na sua opini\u00e3o, \u00e9 que haver\u00e1 \u201cum recome\u00e7o\u201d, no qual as incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro ter\u00e3o um papel relevante. Veja a \u00edntegra da entrevista:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; Que tipos de mudan\u00e7as sociais podemos esperar para o per\u00edodo\np\u00f3s-pandemia? Ser\u00e3o positivas ou negativas, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211;<\/strong> Esta \u00e9 a quest\u00e3o mais importante sobre o impacto da\npandemia na sociedade. Na verdade, \u00e9 muito prov\u00e1vel que a pandemia provoque\nmudan\u00e7as estruturais de grande alcance em diversos sistemas da sociedade. O\nconfinamento social se tornou uma forma de vida social que atravessa e paralisa\na din\u00e2mica de todos os sistemas da sociedade: economia, fam\u00edlia, pol\u00edtica,\nci\u00eancia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, religi\u00e3o, direito, comunica\u00e7\u00e3o de massas, esportes. \u00c9\num fen\u00f4meno que nunca ocorreu na sociedade moderna, nem mesmo durante as duas\ngrandes guerras mundiais. Nunca houve uma paralisa\u00e7\u00e3o mundial simult\u00e2nea de\nquase todos os sistemas da sociedade, submetidos a \u00fanico imperativo, o de\nsalvar o maior n\u00famero de vidas poss\u00edvel. <\/p>\n\n\n\n<p>Entre os cientistas sociais, n\u00e3o\nse pode deixar de notar certo entusiasmo com este \u201cexperimento social\u201d a que\nestamos todos submetidos: o imperativo da sa\u00fade (salvar vidas) tornou-se um\nvalor praticamente absoluto para a pol\u00edtica, apoiando-se especialmente na\nautoridade da ci\u00eancia e na simultaneidade opinativa produzida pela comunica\u00e7\u00e3o\nde massas. A naturaliza\u00e7\u00e3o das rotinas sociais foi rompida e a nova hierarquia\nde valores \u2013 com a preserva\u00e7\u00e3o da vida no topo \u2013 se tornou um for\u00e7a ineg\u00e1vel\ncapaz de impulsionar e orientar mudan\u00e7as estruturais. \u00c9 poss\u00edvel perceber, por\nexemplo, que o ideal da solidariedade social ganha novo apoio social,\nespecialmente pela percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade. Ao\nassumir a preserva\u00e7\u00e3o da vida como meta coletiva central e acima das outras, e\npol\u00edtica e a opini\u00e3o p\u00fablica abrem espa\u00e7o para este retorno da solidariedade\npelo menos no plano da cultura pol\u00edtica. No entanto, se este retorno vai se\ntraduzir institucionalmente na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam a\nigualdade e a cidadania social, s\u00f3 a pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o social pode dizer. Na\nverdade, \u00e9 poss\u00edvel dizer que mudan\u00e7as estruturais de largo alcance tendem a\nocorrer, mas n\u00e3o se poder dizer quais mudan\u00e7as e em que dire\u00e7\u00e3o. Haver\u00e1 um\nrecome\u00e7o para os sistemas sociais com o fim do isolamento. A mem\u00f3ria social\ncontinuar\u00e1 se orientando pela leitura do passado, mas desta vez as incertezas\ndo futuro ter\u00e3o um papel muito mais importante. Isto \u00e9 poss\u00edvel prever. Em\nmomentos de crise como este \u00e9 tentador recorrer a narrativas teleol\u00f3gicas, como\nse houvesse, desde sempre, um ponto de chegada positivo ou negativo para o qual\na pandemia nos empurra com mais rapidez. Este tipo de narrativa serve para\ntrazer seguran\u00e7a em tempos t\u00e3o inseguros, pois apontam um destino definido no\nmeio da tempestade. Mas a ci\u00eancia social deve se distanciar de toda forma de\nteleologia, otimista ou pessimista, pois o futuro social \u00e9 aberto,\nindeterminado. A crise da pandemia evidencia que as estruturas sociais s\u00e3o\npass\u00edveis de mudan\u00e7a, que as mudan\u00e7as est\u00e3o ocorrendo, que v\u00e3o continuar\nocorrendo, que podem se acelerar, mas quais mudan\u00e7as \u00e9 algo que n\u00e3o se pode\nprever. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; Especificamente em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho, voc\u00ea acredita que o <em>home office<\/em> ser\u00e1 mais frequente a partir\nde agora?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211;<\/strong> Acredito que ser\u00e1 mais frequente. A pandemia est\u00e1\ntornando o home office uma alternativa bem mais difundida e isto deve\ncontinuar. Mas existem barreiras na estrutura social que precisam ficar claras:\nexistem formas de trabalho intensivas em intera\u00e7\u00e3o, em contato social face a\nface, e \u00e9 improv\u00e1vel que o home office possa ser uma alternativa em massa para\nelas. Determinados servi\u00e7os p\u00fablicos como educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e assist\u00eancia social\nexemplificam bem isso. Tratam-se de servi\u00e7os produzidos nas intera\u00e7\u00f5es\ncotidianas das \u201cburocracias de n\u00edvel de rua\u201d com as pessoas atendidas. Na\ncrise, muito se fala dos servi\u00e7os essenciais, do hero\u00edsmo profissional de\nenfermeiros, m\u00e9dicos e de todos que atuam na chamada \u201clinha de frente\u201d. O home\noffice pode at\u00e9 possibilitar intera\u00e7\u00f5es virtuais, mas que me parecem incapazes\nde substituir as intera\u00e7\u00f5es face a face no sentido de incluir amplas camadas da\npopula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; Como voc\u00ea avalia o\npapel da m\u00eddia nesse momento? Essa avalanche de informa\u00e7\u00f5es tem sido ben\u00e9fica\nou n\u00e3o, levando-se em conta o fato de que muitas pessoas que poderiam se\nprevenir simplesmente n\u00e3o o fazem?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211;<\/strong> Existem\nsubsistemas da sociedade que foram paralisados, como quase todos que dependem\nfortemente de contato pessoal: religi\u00e3o, esportes, educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, grande\nparte da pol\u00edtica, da economia, do direito, e do mundo art\u00edstico. No entanto,\nexistem outros subsistemas cuja din\u00e2mica n\u00e3o foi paralisada, mas redirecionada\ne at\u00e9 intensificada. \u00c9 o caso da fam\u00edlia e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas.\nAs rela\u00e7\u00f5es familiares, especialmente no sentido burgu\u00eas da fam\u00edlia nuclear,\nforam intensificadas como n\u00e3o ocorreu em nenhuma outra esfera. Isto s\u00f3 \u00e9\ncompar\u00e1vel aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Sem a fun\u00e7\u00e3o dos meios de\ncomunica\u00e7\u00e3o de massa, que \u00e9 construir um mundo simult\u00e2neo de preocupa\u00e7\u00f5es\ncompartilhadas, seria imposs\u00edvel que as medidas de preven\u00e7\u00e3o ditadas pelo\nsistema da sa\u00fade a n\u00edvel global fossem conhecidas e adotadas pelas popula\u00e7\u00f5es.\nEmbora a ades\u00e3o \u00e0s medidas de isolamento social n\u00e3o seja total \u2013 no Brasil ela\nest\u00e1 muito abaixo do necess\u00e1rio \u2013, deveria ser surpreende, do ponto vista\nsociol\u00f3gico, que a grande maioria dos afetados conhe\u00e7a e siga as medidas de\npreven\u00e7\u00e3o. Embora a avalanche de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o seja ben\u00e9fica, me parece que o\nproblema, desta vez, n\u00e3o tem a ver com os meios de comunica\u00e7\u00f5es de massa. O\nproblema \u00e9 que a vida social foi extremamente simplificada sob a forma do\nconfinamento dom\u00e9stico. O sistema de sa\u00fade se tornou uma esp\u00e9cie de\n\u201cinstitui\u00e7\u00e3o total\u201d na sociedade. O contato cotidiano das pessoas com a maioria\ndos sistemas sociais foi interrompido, e isto acarreta um afunilamento da\nidentidade social que pode trazer problemas psicol\u00f3gicos para muitas pessoas. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; Percebe-se neste momento uma rede de solidariedade para ajudar\nos mais vulner\u00e1veis. Essa pandemia pode, de alguma forma, transformar para\nmelhor o ser humano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211; <\/strong>Uma das li\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas da sociologia \u00e9 que o ser\nhumano, enquanto entidade universal dotada de atributos cognitivos e morais\ncompartilhados, simplesmente n\u00e3o existe. Os atributos humanos variam no espa\u00e7o\ne no tempo de acordo com o envolvimento na vida social e em sua evolu\u00e7\u00e3o.\nInclusive o pr\u00f3prio conceito de humanidade \u00e9 profundamente vari\u00e1vel em seu\nescopo e atributos. A ideia de uma humanidade global e sem fronteiras \u00e9 uma\ninven\u00e7\u00e3o cultural da modernidade, com ra\u00edzes religiosas ineg\u00e1veis, mas que\nnunca se institucionalizou em um sistema de direitos e obriga\u00e7\u00f5es capaz de\ngarantir solidariedade global. N\u00e3o h\u00e1 solidariedade real para al\u00e9m da cidadania\ne do Estado nacional, exceto as formas transnacionais de solidariedade\nintraclasse da classe m\u00e9dia e das classes dominantes. Algo interessante da\npandemia \u00e9 que ela pode aproximar as classes m\u00e9dias do Estado de bem-estar\nsocial, ao passo que sua depend\u00eancia de direitos sociais e da solidariedade\ninstitucionalizada na cidadania nacional se torna mais evidentes. A ideia de\numa rede de prote\u00e7\u00e3o para os mais vulner\u00e1veis n\u00e3o \u00e9 novidade. Na verdade, \u00e9 uma\ndas ideias mais velhas e pouco promissoras em que se pode apostar: proteger os\nmais pobres com mecanismos institucionais distintos daqueles destinados \u00e0\nclasse m\u00e9dia sempre foi o tipo de pol\u00edtica social t\u00edpica do neoliberalismo. O\nneoliberalismo conseguiu convencer at\u00e9 a esquerda a fragmentar a pol\u00edtica\nsocial entre pol\u00edtica compensat\u00f3ria de transfer\u00eancia marginal de renda para os\npobres e pol\u00edtica regulat\u00f3ria de servi\u00e7os privados para a classe m\u00e9dia. Contra\nesta fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso atrair a classe m\u00e9dia para os servi\u00e7os p\u00fablicos,\npara escola p\u00fablica, para o SUS. A hist\u00f3ria ensina que pol\u00edticas sociais\nsomente para os pobres est\u00e3o condenadas \u00e0 deslegitima\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 estigmatiza\u00e7\u00e3o,\nao abandono e ao sucateamento: o que \u00e9 apenas para os pobres acaba n\u00e3o servindo\npara ningu\u00e9m. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 nada de promissor na solidariedade fragmentada.\nRealmente transformador e novo seria uma solidariedade complexa centrada na\ninterdepend\u00eancia ampla entre os pobres e a classe m\u00e9dia, capaz de superar a\nassimetria moral entre quem se percebe apenas como contribuinte e financiador,\nde um lado, e aqueles percebidos somente como benefici\u00e1rios, de outro. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211;<\/strong> <strong>Vivemos um per\u00edodo\nem que o radicalismo pol\u00edtico extrapola o limite da racionalidade, em sua\nopini\u00e3o existe um limite para o radicalismo pol\u00edtico dentro da sociedade e para\nonde esse radicalismo vai nos levar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211; <\/strong>N\u00e3o vejo o radicalismo pol\u00edtico como uma marca de\nnossa \u00e9poca. O que temos \u00e9 um radicalismo discursivo e moral combinado com uma\naus\u00eancia de alternativas program\u00e1ticas realmente radicais. Temos radicalismo na\nforma e falta de radicalismo no conte\u00fado. Ser radical, como dizia Marx, \u00e9 ir \u00e0\nraiz dos problemas, \u00e9 propor solu\u00e7\u00f5es estruturais para problemas estruturais.\nNeste sentido, o radicalismo pode ser positivo para a pol\u00edtica democr\u00e1tica,\npois esta depende de ofertas program\u00e1ticas realmente distintas. N\u00e3o h\u00e1\nradicalismo program\u00e1tico separando as posi\u00e7\u00f5es da esquerda e da direita\ndominantes no Brasil e no mundo, mas sim um radicalismo moral, baseado em\nofensas e julgamentos morais, e n\u00e3o em caminhos distintos sobre como organizar\na economia e a vida social. Na verdade, eu acredito que a falta de radicalismo\nprogram\u00e1tico \u00e9 o verdadeiro problema. Muitos interlocutores preocupados com o\ndestino da pol\u00edtica democr\u00e1tica ainda est\u00e3o presos \u00e0 ideia de um centro\npol\u00edtico como lugar de apagamento e modera\u00e7\u00e3o das principais diferen\u00e7as\npol\u00edticas. Acreditam que a modera\u00e7\u00e3o program\u00e1tica \u00e9 o \u00fanico caminho poss\u00edvel\ne\/ou desej\u00e1vel. Precisam se dar conta que a modera\u00e7\u00e3o que apaga diferen\u00e7as\nprogram\u00e1ticas \u00e9 parte do problema. Est\u00e3o ainda ref\u00e9ns da confus\u00e3o entre\nradicalismo e sectarismo: partem da premissa que um programa pol\u00edtico radical,\nousado, que busque solu\u00e7\u00f5es estruturais para problemas estruturais, \u00e9 sempre\nsect\u00e1rio, estreito no espectro dos grupos e classes sociais que lhe d\u00e3o\nsustenta\u00e7\u00e3o. Esta confus\u00e3o pode e deve ser desfeita, pois radicalismo\nprogram\u00e1tico n\u00e3o significa necessariamente sectarismo. <\/p>\n\n\n\n<p>Programas rebeldes de\ndesenvolvimento nacional foram sempre radicais e contaram com ampla base de\napoio envolvendo setores populares e m\u00e9dios. Quando n\u00e3o contaram com o apoio de\nsetores burgueses, o apoio da classe m\u00e9dia e dos setores populares garantiu, muitas\nvezes, as condi\u00e7\u00f5es para a coer\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica da minoria dissidente e\nentreguista. N\u00e3o h\u00e1 lei social ou pol\u00edtica que fa\u00e7a da classe m\u00e9dia a linha de\nfrente da burguesia antinacional e antipopular. Por mais que esta seja a\nconfigura\u00e7\u00e3o atual, n\u00e3o foi sempre assim. \u00c9 preciso recuperar as nuances e\ncontradi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria pol\u00edtica e a conting\u00eancia das estruturas da a\u00e7\u00e3o\nsocial. A classe m\u00e9dia est\u00e1 em disputa, como sempre esteve. \u00c9 preciso ser\nradical no programa e amplo nas alian\u00e7as. Radical no conte\u00fado e amplo na forma\nda comunica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; Quais valores s\u00e3o mais fortes em nossa sociedade? Ainda existe\n\u00e9tica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211;<\/strong> Nossa sociedade \u00e9 marcada pela variedade, pela\nincompatibilidade e pelo conflito entre valores sociais. Conduzimos nossa vida\nem diferentes esferas de valor: economia, pol\u00edtica, fam\u00edlia, ci\u00eancia, educa\u00e7\u00e3o,\nsa\u00fade, artes, religi\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma pluralidade infinita, e nem de uma\nvis\u00e3o subjetivista dos valores. N\u00e3o existem valores puramente pessoais e\nsubjetivos, mas um leque espec\u00edfico de valores compartilhados. Os valores s\u00e3o\ncompartilhados, mas como, com que hierarquia? Que valores s\u00e3o mais importantes,\nem que contexto e para quem? Tudo isso varia muito dentro da pr\u00f3pria sociedade,\nque n\u00e3o \u00e9 definida por uma hierarquia fixa entre os distintos valores. Mas,\napesar da varia\u00e7\u00e3o na conduta de vida dos indiv\u00edduos, existem padr\u00f5es de\nhierarquia entre os valores que predominam ao longo do tempo. O principal deles\n\u00e9 o padr\u00e3o capitalista, que coloca os valores da economia, como a efici\u00eancia e\na produtividade, acima dos valores de outras esferas sociais como a justi\u00e7a e a\ndemocracia. O curioso na crise da pandemia \u00e9 que o valor da preserva\u00e7\u00e3o das\nvidas individuais, institucionalizado no sistema social da cura de doen\u00e7as,\ndeslocou estes valores econ\u00f4micos e assumiu temporariamente o topo da\nhierarquia. Isto mostra que a for\u00e7a dos valores varia com a mudan\u00e7a social.\nQuanto a \u00e9tica, precisamos entender que nenhuma sociedade, do passado ou do\npresente, possuiu a consist\u00eancia racional que costumamos associar \u00e0s exig\u00eancias\n\u00e9ticas. O mundo social n\u00e3o \u00e9 formado a partir de raz\u00f5es, de fundamentos\n\u00e9tico-racionais capazes de estruturar o conjunto da vida social. Na\nmodernidade, a \u00e9tica se tornou um espa\u00e7o cient\u00edfico de reflex\u00e3o sobre a\nmoralidade social, uma esp\u00e9cie de ilha de racionalidade moral. \u00c9 ing\u00eanuo,\nperigoso e at\u00e9 indesej\u00e1vel querer que a vida social como um todo passe a ser\norientada pela consist\u00eancia, coer\u00eancia e racionalidade que costumamos associar\n\u00e0 reflex\u00e3o \u00e9tica sobre a moral. N\u00e3o temos um problema de falta de \u00e9tica. Temos\nproblemas estruturais econ\u00f4micos, pol\u00edticos, jur\u00eddicos, educacionais, sociais,\nna sa\u00fade, que n\u00e3o podem ser resolvidos por mais \u00e9tica, por mais moralidade\nracional. \u00c9 preciso entender que a vida social vai al\u00e9m da moral e que a vida\nmoral n\u00e3o pode ser completamente racionalizada e refletida. O papel da reflex\u00e3o\n\u00e9tica deveria ser, a meu ver, muito mais o de identificar os limites da\nracionalidade na vida moral e com isso alertar para os perigos da pr\u00f3pria\nmoraliza\u00e7\u00e3o da vida social. Se observamos a vida pol\u00edtica brasileira, vemos\nflorescer um processo de moraliza\u00e7\u00e3o da luta pelo poder: a diferen\u00e7a entre o\nbem e mal ganha primazia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s diferen\u00e7as program\u00e1ticas. O\nfortalecimento da moral parece estar ligado a um enfraquecimento da\nracionalidade program\u00e1tica. N\u00e3o se trata de querer abolir a moral da pol\u00edtica\nou de qualquer esfera social, mas sim de identificar seus limites e o perigo de\nsua expans\u00e3o, que conhecemos como moralismo. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; <\/strong>&nbsp;<strong>O escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano disse: \u201cna luta do bem\ncontra o mal, \u00e9 sempre o povo que morre\u201d. Por que parte da sociedade despreza o\nvalor da vida humana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211;<\/strong> Na idade m\u00e9dia, assim como em todas as sociedades\npr\u00e9-modernas, a preserva\u00e7\u00e3o das vidas individuais n\u00e3o tinha nenhum valor em si.\nNestas sociedades, seria impens\u00e1vel que as atividades sociais fossem\nparalisadas com base na ideia de que cada vida individual deve ser preservada.\nA valoriza\u00e7\u00e3o da vida individual \u00e9 resultado de um longo, improv\u00e1vel e tortuoso\nprocesso de evolu\u00e7\u00e3o sociocultural. Partiu da ideia religiosa de que cada\npessoa \u00e9 sagrada aos olhos de Deus, at\u00e9 se tornar o humanismo secular que temos\nhoje, ancorado nas constitui\u00e7\u00f5es da maioria dos pa\u00edses. Portanto, \u00e9 preciso\nentender, em primeiro lugar, que o valor da vida humana n\u00e3o \u00e9 um dado natural,\nmas sim uma constru\u00e7\u00e3o contingente, prec\u00e1ria, mut\u00e1vel, e pr\u00f3pria da sociedade\nmoderna. Apenas no mundo moderno, no qual a norma da preserva\u00e7\u00e3o das vidas\nindividuais se acha institucionalizada, faz sentido perguntar porque parte da\nsociedade despreza este valor. Esta pergunta precisa ser respondida levando em\nconta uma s\u00e9rie de fatores, especialmente a seletividade na institucionaliza\u00e7\u00e3o\ndo valor da vida. As desigualdades sociais incluem tamb\u00e9m a desigualdade no\nacesso aos direitos capazes de garantir o valor da vida de cada indiv\u00edduo. A\nbiopol\u00edtica, que sempre promove implicitamente diferencia\u00e7\u00f5es no valor da vida\nde grupos e classes sociais, \u00e9 de fato uma dimens\u00e3o fundamental da desigualdade\nsocial, relacionada diretamente ao sistema de sa\u00fade. Al\u00e9m disso, a pr\u00f3pria\npercep\u00e7\u00e3o dos riscos para a vida \u00e9 estruturada pela desigualdade social. As\nclasses populares, caracterizadas pela exposi\u00e7\u00e3o a riscos de vida muito mais\nfrequentes e intensos que as outras classes sociais, desenvolvem tamb\u00e9m uma\ncultura pr\u00f3pria de naturaliza\u00e7\u00e3o destes riscos. Quem \u00e9 diariamente amea\u00e7ado pelo\nrisco de morrer soterrado, ou pelo risco de morrer por bala perdida, tende a\nminimizar os riscos de uma pandemia como essa. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM &#8211; As a\u00e7\u00f5es do governo, de apoio social, s\u00e3o baseadas em\naplicativos de telefones e cadastros on-line, via internet, em um pa\u00eds com\nmilhares de pessoas desconectadas. Essas a\u00e7\u00f5es podem aumentar ainda mais o\nabismo social que vivemos com o fracasso das pol\u00edticas p\u00fablicas feitas de forma\nemergencial.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Roberto Dutra &#8211; <\/strong>Sim, se estas a\u00e7\u00f5es estiverem baseadas\nexclusivamente em aplicativos de telefones e em cadastros on-line, certamente\naumentam o abismo social. As pol\u00edticas sociais precisam de uma linha de frente\nrobusta, capaz de buscar os exclu\u00eddos e invis\u00edveis. Precisamos combinar o\nacesso digital com o acesso presencial, face a face. Desmontar as burocracias\nde n\u00edvel de rua, como tem sido feito na previd\u00eancia social, \u00e9 contribuir\ndecisivamente para o aumento de nosso abismo social. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF<\/strong>)<\/p>\n\n\n\n<p>Ger\u00eancia de Comunica\u00e7\u00e3o (ASCOM)<br \/> Av. Alberto Lamego, 2.000 \u2013 Parque Calif\u00f3rnia \u2013 Campos (RJ)<br \/> Telefones: Ascom: (22) 2739-7815 \/ 2739-7813<br \/> Reitoria: (22) 2739-7003<br \/> Email: uenf@uenf.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A civiliza\u00e7\u00e3o humana vive um momento \u00edmpar, cujas consequ\u00eancias ainda s\u00e3o imprevis\u00edveis. Esta \u00e9 a opini\u00e3o do cientista social Roberto Dutra, do Laborat\u00f3rio de Gest\u00e3o e Pol\u00edticas P\u00fablicas da UENF (LGPP), que nesta entrevista discorre sobre o atual momento pelo qual passa a sociedade globalizada. 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