{"id":19159,"date":"2023-05-25T18:00:53","date_gmt":"2023-05-25T21:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/uenf.br\/portal\/?p=19159"},"modified":"2023-05-25T18:00:53","modified_gmt":"2023-05-25T21:00:53","slug":"tese-de-doutorado-da-uenf-aborda-uso-medicinal-da-maconha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/portal1.uenf.br\/portal\/noticias\/tese-de-doutorado-da-uenf-aborda-uso-medicinal-da-maconha\/","title":{"rendered":"Tese de doutorado da UENF aborda uso medicinal da maconha"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/banner-canabis-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19195\" width=\"551\" height=\"551\"\/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Os usos medicinais de maconha t\u00eam sido foco de debates em torno do direito \u00e0 sa\u00fade e sobre pol\u00edticas de drogas em diversos pa\u00edses do mundo. Mesmo em pa\u00edses onde o acesso legal \u00e0 planta n\u00e3o foi regulamentado, como no Brasil e no Chile, seus usos t\u00eam se difundido como possibilidade de tratamento para diversas enfermidades.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em um contexto hist\u00f3rico, a rela\u00e7\u00e3o milenar entre seres humanos e a <em>cannabis<\/em>, e sua consequente domestica\u00e7\u00e3o, gerou diversas variedades da planta, selecionadas de acordo com os interesses dos povos que a cultivaram. Seus usos v\u00e3o desde as finalidades terap\u00eauticas \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de suas fibras para a confec\u00e7\u00e3o de cordas e tecido. O cultivo se tornou imprescind\u00edvel para a vida no leste asi\u00e1tico e suas sementes foram usadas como importante alimento. Posteriormente, a qualidade de suas fibras permitiu aos chineses a inven\u00e7\u00e3o do papel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os chineses foram pioneiros na descoberta de f\u00e1rmacos, produzindo a primeira farmacopeia conhecida no mundo. Nela a <em>cannabis<\/em> \u00e9 indicada para o tratamento de dor reum\u00e1tica, constipa\u00e7\u00e3o, problemas relacionados \u00e0 menstrua\u00e7\u00e3o, gota, mal\u00e1ria e falta de concentra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m se indicava consumir suas flores com modera\u00e7\u00e3o, pois o excesso poderia levar \u00e0 \u201cvis\u00e3o de dem\u00f4nios\u201d e \u00e0 impot\u00eancia masculina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A alus\u00e3o mais antiga \u00e0s propriedades psicotr\u00f3picas da <em>cannabis <\/em>na \u00cdndia data de aproximadamente 2.000 anos aC. Em rela\u00e7\u00e3o aos usos medicinais, a <em>cannabis<\/em> fora utilizada como diur\u00e9tico, estimulante do apetite e da digest\u00e3o, no controle da febre e no tratamento da ins\u00f4nia, lepra, doen\u00e7as ven\u00e9reas, \u00falceras, tuberculose, convuls\u00f5es infantis, dores de cabe\u00e7a, nevralgia, t\u00e9tano, disenteria e c\u00f3lera, ressalvando que o abuso poderia gerar os efeitos opostos, como falta de apetite, perda de mem\u00f3ria e seda\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todos esses relatos hist\u00f3ricos comprovam que a <em>cannabis <\/em>n\u00e3o \u00e9 uma novidade, apesar de estar sendo tratada como tal por causa de recentes descobertas cient\u00edficas. Por\u00e9m, como tais conhecimentos s\u00e3o produzidos, uma vez que a planta ainda \u00e9 proibida na maior parte do mundo? Com base nesse questionamento, Luciana Barbosa se aprofundou no tema em sua tese de doutorado <em>Redes can\u00e1bicas no \u00e2mbito da sa\u00fade: usos medicinais de maconha, mobiliza\u00e7\u00e3o social e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento<\/em>, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia Pol\u00edtica, do Centro de Ci\u00eancias do Homem (CCH-UENF) com a orienta\u00e7\u00e3o do professor Mauro Campos. A tese foi uma das dez finalistas do Concurso Nacional de Teses e Disserta\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Sociais (ANPOCS) em 2022.&nbsp;<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/uenf.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Doutoranda-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-19169\" width=\"665\" height=\"443\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Luciana Barbosa<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF <\/strong>\u2013 De onde surgiu o interesse em estudar um tema t\u00e3o pol\u00eamico?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> \u2013 Em 2015, eu tentava desenhar meu projeto de doutorado em torno de algo sobre conhecimentos populares e usos de plantas medicinais quando uma amiga me escreveu falando sobre um cultivador e usu\u00e1rio medicinal de maconha que ela havia conhecido e lhe havia contado sobre ter curado um c\u00e2ncer no sistema linf\u00e1tico com o uso de um \u00f3leo elaborado com um extrato artesanal da planta. A hist\u00f3ria do rapaz me deixou interessada. Fiz contato com ele e descobri que conseguia o \u00f3leo em uma \u201crede de distribui\u00e7\u00e3o\u201d gratuita da cidade do Rio de Janeiro que lhe enviara a subst\u00e2ncia pelo correio. Ap\u00f3s iniciar o tratamento com o \u00f3leo doado, come\u00e7ou ele mesmo a produzi-lo a partir de um cultivo dom\u00e9stico. Segundo ele, a maconha diminu\u00eda seus enjoos, dores, melhorava o apetite e o humor. Uma busca na internet me mostrou que havia outros relatos sobre benef\u00edcios medicinais da maconha e algumas mat\u00e9rias de jornais que falavam sobre uma \u201crede secreta\u201d que distribu\u00eda maconha para uso medicinal, realizado, inclusive, por crian\u00e7as que sofriam com crises convulsivas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF <\/strong>\u2013 Em meio ao estudo, seu pai descobriu um c\u00e2ncer. Como foi saber que sua fonte de estudo poderia ajud\u00e1-lo?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>\u2013 Meu pai, que dois anos antes havia passado por uma cirurgia de pontes de safena, e da qual ainda n\u00e3o havia se recuperado totalmente, foi diagnosticado com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o e iniciaria em pouco tempo o tratamento com quimio e radioterapia. Militar aposentado, e mesmo sendo muito conservador, meu pai ficou interessado no tratamento. Ele utilizou o \u00f3leo cotidianamente apenas durante o per\u00edodo da quimioterapia. E os efeitos da maconha eram evidentes, tanto no que diz respeito aos benef\u00edcios, como nos efeitos por ele considerados \u201ccolaterais\u201d, relacionados \u00e0 psicoatividade da planta, e que nem sempre lhe agradavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF <\/strong>\u2013 Voc\u00ea poderia esclarecer como tem sido poss\u00edvel utilizar de forma medicinal uma planta proibida na maior parte do mundo, inclusive no Brasil?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> &#8211; Nos dois primeiros anos ap\u00f3s a regulamenta\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o de produtos \u00e0 base maconha pela Anvisa, em 2016, o Brasil importou legalmente mais de 78 mil produtos para fins medicinais \u00e0 base da planta. Al\u00e9m do acesso pela importa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 o ano de 2020, cerca de 100 fam\u00edlias brasileiras obtiveram na justi\u00e7a um <em>Habeas Corpus <\/em>preventivo, que lhes permite cultivar a planta com objetivos terap\u00eauticos. Al\u00e9m disso, associa\u00e7\u00f5es t\u00eam conseguido na justi\u00e7a o direito de cultivar maconha, produzir um \u00f3leo medicinal com a planta e distribu\u00ed-lo entre seus associados mediante prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Apesar desses fatos, ocorridos nos \u00faltimos cinco anos, n\u00e3o h\u00e1 ainda qualquer regulamenta\u00e7\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o e cultivo de <em>cannabis<\/em> que permita o acesso a tais tratamentos, assim como o desenvolvimento de pesquisas com a planta no Brasil. Dessa forma, o acesso a tal tratamento tem ocorrido pela via da judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ou pelo cultivo ilegal, denominado por ativistas como \u201cdesobedi\u00eancia civil n\u00e3o violenta\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF <\/strong>\u2013 Com toda essa dificuldade diante do tema, como voc\u00ea fez para realizar a pesquisa para sua tese?&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> &#8211; A tese \u00e9 constitu\u00edda por uma extensa pesquisa etnogr\u00e1fica, realizada a partir da observa\u00e7\u00e3o participante, entrevistas semiestruturadas, levantamento e an\u00e1lise documental de mat\u00e9rias de jornais, revistas, sites e programas televisivos. O trabalho de campo foi realizado entre maio de 2017 e maio de 2019 e pode ser compreendido em tr\u00eas fases: pesquisa explorat\u00f3ria (que consistia basicamente em ir a todos os eventos sobre o tema que eu tivesse oportunidade durante meu primeiro ano de doutorado \u2014 de audi\u00eancias p\u00fablicas a rodas de conversa promovidas por ativistas); pesquisa junto \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 Pesquisa e Pacientes de <em>Cannabis<\/em> Medicinal (Apepi), no Rio de Janeiro; e pesquisa em profundidade realizada na Funda\u00e7\u00e3o Daya, em Santiago\/Chile. \u00c9 importante ressaltar que realizei toda a pesquisa com bolsa de doutorado da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes). Al\u00e9m disso, a pesquisa no Chile s\u00f3 foi poss\u00edvel devido ao financiamento p\u00fablico integral por meio do Programa Doutorado Sandu\u00edche no Exterior\/CAPES.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> \u2013 E como aconteceu a sua inser\u00e7\u00e3o no campo, quais lugares voc\u00ea visitou e o que conheceu?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> &#8211; Iniciei os contatos com atores e atrizes chave, conheci algumas associa\u00e7\u00f5es can\u00e1bicas e transitei por espa\u00e7os de debate, no intuito de conhecer a rede de ativistas que se formava ao redor da quest\u00e3o antes de construir os recortes da pesquisa. Essa etapa ocupou todo o primeiro ano do doutorado, no qual acompanhei audi\u00eancias p\u00fablicas, <em>workshops<\/em>, palestras, eventos acad\u00eamicos, um curso de cultivo, uma oficina sobre a elabora\u00e7\u00e3o do \u00f3leo medicinal de maconha e conheci pessoalmente quatro importantes associa\u00e7\u00f5es civis que tratam sobre o tema, que denomino na tese como \u201cassocia\u00e7\u00f5es can\u00e1bicas\u201d, sendo duas na cidade do Rio de Janeiro e duas na cidade de Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba. E tamb\u00e9m fui ao Chile, conheci a <em>Fundaci\u00f3n Daya<\/em> e pude acompanhar a rotina de trabalho dessa associa\u00e7\u00e3o. E um pa\u00eds que tem uma rela\u00e7\u00e3o com a maconha diferente da nossa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> \u2013 E o que p\u00f4de identificar no contato mais pr\u00f3ximo com as associa\u00e7\u00f5es?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> &#8211; As associa\u00e7\u00f5es can\u00e1bicas t\u00eam exercido importante papel no processo de politiza\u00e7\u00e3o em torno dos usos da maconha, atuando como ponte entre pessoas interessadas no uso medicinal e os meios para alcan\u00e7ar tal tratamento, acolhendo pacientes e organizando formalmente usu\u00e1rios, cultivadores, m\u00e9dicos, advogados ativistas e pesquisadores de diversas \u00e1reas. Tamb\u00e9m atuam na produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conhecimento a partir da constru\u00e7\u00e3o de parcerias com universidades e institutos de pesquisa, a cria\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e debate, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o em audi\u00eancias p\u00fablicas nas esferas municipais, estaduais e federais.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> &#8211; Parte da sua pesquisa foi realizada na Funda\u00e7\u00e3o Daya, no Chile. Por que escolheu este pa\u00eds e como foi a experi\u00eancia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>&#8211; O Chile foi o pa\u00eds escolhido pelo fato de ter abrigado em seu territ\u00f3rio o maior cultivo de maconha para fins medicinais da Am\u00e9rica Latina, sob a responsabilidade da Funda\u00e7\u00e3o Daya. Al\u00e9m disso, segundo a Funda\u00e7\u00e3o, cerca de 75% dos seus associados s\u00e3o autossuficientes, ou seja, j\u00e1 aprenderam o suficiente para cultivar a planta e produzir o pr\u00f3prio medicamento, e assim o fazem. Mas, ao contr\u00e1rio do que se pode achar, o Chile n\u00e3o regulamentou o cultivo de maconha, apenas descriminalizou o cultivo e a posse para uso pessoal. Essa caracter\u00edstica aproxima o Brasil e o Chile em termos legislativos. Esses tr\u00eas fatores nos fizeram escolher o pa\u00eds como destino para a terceira e \u00faltima etapa da pesquisa de campo. A experi\u00eancia foi muito enriquecedora. Poder acompanhar a rotina de trabalho da Funda\u00e7\u00e3o, ter contato cotidiano com os pacientes, m\u00e9dicos, terapeutas, realizar muitos cursos de cultivo e de produ\u00e7\u00e3o dos medicamentos me permitiu realizar uma pesquisa extensa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e compartilhamento de conhecimento que no Brasil ainda n\u00e3o era poss\u00edvel, pois as associa\u00e7\u00f5es ainda estavam se consolidando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF <\/strong>&#8211; E para quais doen\u00e7as o uso da <em>cannabis<\/em> \u00e9 indicado?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>\u2013 Em 2018 cerca de 800 m\u00e9dicos, de 25 especialidades diferentes, receitaram <em>cannabis<\/em> no Brasil. De l\u00e1 pra c\u00e1, o n\u00famero de especialidades e prescri\u00e7\u00f5es tem aumentado muito, ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dar essa resposta. Mas posso citar algumas prescri\u00e7\u00f5es recorrentes, como tratamentos de epilepsia refrat\u00e1ria, Alzheimer, Mal de Parkinson, c\u00e2ncer, dor cr\u00f4nica, ansiedade, depress\u00e3o, ins\u00f4nia, adic\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de diversas doen\u00e7as raras.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> \u2013 E quais s\u00e3o os princ\u00edpios ativos contidos nesses \u00f3leos?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> \u2013 Os \u00f3leos artesanais feitos nas associa\u00e7\u00f5es brasileiras t\u00eam todos os canabinoides contidos na planta. De maneira geral, os \u00f3leos s\u00e3o assim, e a padroniza\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pela sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das sementes e clones.&nbsp; H\u00e1 tamb\u00e9m os medicamentos importados produzidos com todos os canabinoides da planta (chamados de <em>full spectrum<\/em>) ou com Canabidiol (CBD) isolado.&nbsp; A maconha tem dezenas de canabinoides, dentre os quais os mais conhecidos s\u00e3o o CBD e o THC. Muitas vezes as pessoas se referem ao CBD como \u00fanico composto medicinal da maconha, reduzindo o THC ao efeito psicoativo. Inclusive, muitas vezes ouvimos \u201cCBD\u201d como sin\u00f4nimo do \u00f3leo de <em>cannabis<\/em>. Mas essa compreens\u00e3o \u00e9 equivocada e est\u00e1 associada a quest\u00f5es morais e n\u00e3o cient\u00edficas. J\u00e1 temos pesquisas suficientes para afirmarmos que ambos os canabinoides s\u00e3o respons\u00e1veis pelos efeitos medicinais da planta, junto a outros que est\u00e3o sendo estudados. Ent\u00e3o os \u00f3leos n\u00e3o s\u00e3o de canabidiol, mas de <em>cannabis<\/em>\/maconha, podendo ter maior ou menor concentra\u00e7\u00e3o de determinados canabinoides, de acordo com a variedade da planta.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> &#8211;&nbsp; Por que a <em>cannabis<\/em> faz efeito no corpo humano?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>&#8211; O que biom\u00e9dicos descobriram, em especial Raphael Mechoulan e sua equipe, \u00e9 que temos em nosso corpo um sistema, batizado de sistema endocanabinoide, por meio do qual n\u00f3s produzimos subst\u00e2ncias an\u00e1logas \u00e0s da maconha em nosso organismo. Por isso temos receptores espec\u00edficos para os canabinoides, sejam eles produzidos pelo nosso organismo (chamados endocanabinoides) ou pela planta (fitocanabinoides).&nbsp; Um filme muito bom para entender um pouco melhor sobre isso \u00e9 \u201cO cientista\u201d. Est\u00e1 dispon\u00edvel gratuitamente no <em>YouTube.<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> \u2013 Como funciona o trabalho realizado e qual a import\u00e2ncia de associa\u00e7\u00f5es como a Apepi que voc\u00ea visitou durante sua pesquisa?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>\u2013 As associa\u00e7\u00f5es t\u00eam papel fundamental tanto na constru\u00e7\u00e3o de vias de acesso ao tratamento com <em>cannabis<\/em>, como no incentivo \u00e0 pesquisa e ao debate p\u00fablico. Com o alto pre\u00e7o dos medicamentos importados ou disponibilizados em farm\u00e1cias, e as dificuldades de cultivar a planta relacionadas ao proibicionismo, as associa\u00e7\u00f5es t\u00eam sido importantes fornecedoras dos \u00f3leos medicinais de <em>cannabis<\/em>. \u00c9 importante tamb\u00e9m frisar que foi a organiza\u00e7\u00e3o social de pessoas interessadas (pacientes, m\u00e3es, cultivadores\/as, m\u00e9dicos\/as, advogados\/as, ativistas antiproibicionistas) que promoveu a ascens\u00e3o do debate acerca da maconha para fins medicinais e o acesso (primeiro ilegalmente, hoje com autoriza\u00e7\u00f5es judiciais). A organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil tamb\u00e9m foi extremamente relevante para o desenvolvimento de conhecimento experiencial e de pesquisas cient\u00edficas, uma vez que o debate p\u00fablico tem exigido da ci\u00eancia posicionamentos. Ent\u00e3o eu entendo que foi essa organiza\u00e7\u00e3o social, que chamo de ativismo terap\u00eautico, que impulsionou uma s\u00e9rie de discuss\u00f5es e transforma\u00e7\u00f5es nos \u00faltimos anos em torno dos usos medicinais de maconha no Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF &#8211;<\/strong> O que voc\u00ea pode concluir no seu estudo sobre a produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo medicinal?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana <\/strong>&#8211; As conclus\u00f5es apontam que o conhecimento em torno dos usos medicinais de maconha, como dosagens, variedades de plantas, t\u00e9cnicas de cultivo e a elabora\u00e7\u00e3o do \u00f3leo artesanal, t\u00eam sido produzidos principalmente por uma rede colaborativa por meio da qual circulam informa\u00e7\u00f5es, relatos de experi\u00eancias, sementes, mudas, flores e tudo o que diz respeito \u00e0 maconha. Diferentemente do que ocorre com outros medicamentos vendidos na farm\u00e1cia, no caso da <em>cannabis <\/em>o conhecimento e as formas de uso foram constru\u00eddos primeiro por usu\u00e1rios, cuidadoras e cultivadores, e, posteriormente, em decorr\u00eancia das demandas sociais, respaldadas pelo conhecimento cient\u00edfico, m\u00e9dico e jur\u00eddico \u2014 ainda que tais institui\u00e7\u00f5es estejam envoltas em muitas controv\u00e9rsias no que diz respeito a esse tema.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM\/UENF<\/strong> &#8211; Como essa rede colaborativa funciona?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana<\/strong> \u2013 A ideia de rede nos ajuda a pensar as rela\u00e7\u00f5es entre atores e atrizes sociais que se conectam, trocam informa\u00e7\u00f5es entre si, mantendo uma constante produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de conhecimento. No caso dos usos medicinais de maconha, a troca de informa\u00e7\u00f5es entre esses atores permite que novos usu\u00e1rios aprendam sobre o tratamento de maneira detalhada, j\u00e1 que os m\u00e9dicos muitas vezes n\u00e3o det\u00eam conhecimento suficiente sobre o assunto. Isso ocorre especialmente nesse caso por tratar-se de uma planta proibida em grande parte do mundo nos \u00faltimos quase 100 anos. \u00c0 revelia da legalidade, usu\u00e1rios continuaram produzindo e compartilhando conhecimento a partir das pr\u00f3prias experi\u00eancias e pesquisas pessoais \u2014 desde formas de cultivo \u00e0s formas de uso. Nessa circula\u00e7\u00e3o, as pessoas relatam, comparam, refletem sobre suas experi\u00eancias, e, conforme se mant\u00e9m ligados uns aos outros, ainda que indiretamente, durante um longo per\u00edodo, o conhecimento vai sendo produzido e testado, baseado nas informa\u00e7\u00f5es que circulam. A rede can\u00e1bica \u00e9 particularmente interessante por reunir diversos atores sociais, como usu\u00e1rios medicinais e suas fam\u00edlias, ativistas antiproibicionistas, m\u00e9dicos, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e universidades, que dialogam sobre um tema em comum. Essa diversidade de perspectivas produz uma grande variedade de conhecimentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ASCOM \/ UENF<\/strong> \u2013 Al\u00e9m da tese, que est\u00e1 dispon\u00edvel online, voc\u00ea publicou outros materiais sobre a pesquisa?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luciana &#8211; <\/strong>Publiquei tr\u00eas artigos por enquanto, todos em revista cient\u00edficas de acesso p\u00fablico e gratuito. O artigo na revista <em>Media\u00e7\u00f5es<\/em>, onde trato dos resultados gerais da tese; a publica\u00e7\u00e3o no dossi\u00ea sobre a\u00e7\u00e3o coletiva e movimentos sociais da <em>Revista Teoria e Cultura<\/em>; e o artigo publicado no dossi\u00ea \u201cAntropologia a partir dos medicamentos\u201d, da <em>Revista Ilha<\/em>, onde trato da constru\u00e7\u00e3o da maconha como medicamento a partir da pesquisa na Funda\u00e7\u00e3o Daya.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;-&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Links dos artigos&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigo Media\u00e7\u00f5es:<\/strong> https:\/\/ojs.uel.br\/revistas\/uel\/index.php\/mediacoes\/article\/view\/43957\/47844&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigo Teoria e Cultura:<\/strong> https:\/\/periodicos.ufjf.br\/index.php\/TeoriaeCultura\/article\/view\/38488&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Artigo Revista Ilha:<\/strong> https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/ilha\/article\/view\/85672\/52396&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Link para a tese todas as publica\u00e7\u00f5es<\/strong> (minha p\u00e1gina no academi.edu): https:\/\/uenf.academia.edu\/LucianaBarbosa&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Contato: lucianadecamposbarbosa@gmail.com&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os usos medicinais de maconha t\u00eam sido foco de debates em torno do direito \u00e0 sa\u00fade e sobre pol\u00edticas de drogas em diversos pa\u00edses do mundo. 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